Rodrigo,
Se você está lendo isso agora, provavelmente continua com a minha ótima memória e atenção para as coisas atual. Mentira, sempre fui desatento e espero que algo já tenha acontecido a mim e me deixado mais atencioso desde que escrevi isso.
Se bem me conheço, devo estar pensando, enquanto leio: eu era jovem, não tinha nada na cabeça, não sabia o que fazia, não tinha idéia do que era a vida, quando escrevia coisas naquele blog. Mas saiba que com 16 anos você já sabia muita coisa da vida. Tenho certeza de que nada que escrevo aqui é cem por cento bobagem, e que essa Rodrigo de 16 anos de idade, tão imaturo e ingênuo continua vivo aí dentro do Rodrigo mais maduro e velho. Sei que, hoje, já sou grande parte do que serei pelo resto de minha vida, grande parte do que você é.
Estou aqui no quarto de minha mãe, enquanto ela me grita para o almoço e eu aumento o som, tocando Kill The Lights, de Britney Spears. Daqui a pouco tenho que descer com Tobby e estudar física pelo resto da tarde, pois tenho prova amanhã. Quanto disso já mudou durante o tempo em que estive longe do blog? Espero que não esteja mais na casa de minha mãe, já tenha meu carro, e provavelmente não terei mais cachorro. Não sei, acho que nunca viverei sem um cachorro. Devo ter um novo, não é? Ah, também não há mais preocupações com provas de física no dia seguinte. Espero, pelo o menos. Se essas coisas não tiverem mudado ainda, entrei no blog cedo demais, ou então devo me apressar para correr atrás do tempo perdido!
O futuro é tão incerto que fico me perguntando como estarei, como você está, enquanto lê isso. Uma imagem de futuro perfeito se forma em minha cabeça, como uma foto: estou num apartamento legal, não necessariamente grande, mas legal, tenho meu trabalho próprio e já conquistei a minha tão sonhada independência. Tenho uma namorada séria e bonita, o tempo de pegar várias passou há muito, e sou feliz. O principal. Espero estar feliz!
Tá vendo? Minha mãe tá aqui 'xiando' que tá na hora de parar de usar o computador, já usei demais. Odeio isso no momento, mas o quanto sentirei falta disso no futuro? Pois sei que vou.
Você, ou melhor, eu mesmo, é a maior de todas as minhas dúvidas. O futuro, a icógnita impossível de encontrar a não ser de um modo: vivendo. E o quanto já vivi? Quando falo isso, não me refiro a idade, mas a intensidade de momentos especiais. Espero que não tenha passado todos esses anos sentado assitindo TV ou peri meu tempo trabalhando incansavelmente sem aproveitar a vida.
VIVA! Eu tenho, hoje, sede de viver. Espero não ter perdido isso, porque essa sede é meu combustível.
Não disperdice meu tempo. Nosso tempo. Faça tudo o que quiser. Só temos essa vida.
Rodrigo
RODRIGO. Uma vez, quando pequeno, lembro de ter ido no circo e me encantado com a beleza das perigosas acrobacias apresentadas. Só não notei o quão parecida a minha vida era com uma daquelas performances. Sim, porque hoje eu sei que quantos mais perigos e desafios enfrentamos, mais fortes e completos nos tornamos. E conseguimos arrancar mais aplausos. Aplausos. É exatamente o que quero para o meu futuro, e isso independe de qual será ele. Pretendo hoje fazer medicina, mas nunca se sabe quais supresas a vida nos reserva. O futuro é como um circo, em que você entra e não sabe o que será apresentado, quais emoções sentirá. Hoje já não sou mais uma criança, nem fisica nem psicologicamente, mas continuo me encantando com a amostra do talento natural. Espero poder mostrar os meus para o mundo, sempre o ajudando a melhorar.
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